Cheguei de viagem sábado de manhã e a patroa, pela noite, perguntou se iríamos quinta-feira ao jogo contra o Velez na Vila.
Resposta minha, no ato: - Se fosse no Pacaembu eu iria. Na Vila, certamente haverá confusão com os ingressos e mesmo que conseguíssemos, vai ser aquele eterno senta-levanta ou pior - só levanta... Vou de couch potato da Fox mesmo... Tirando as cativas, vão sobrar uns 10.000 ingressos para venda, só...
Não deu outra. Além do pau no sistema da CSU, para sócios só foram vendidos 5.000 ingressos. Eu é que fui otimista pensando no dobro...
Quando o bicho pegou na segunda-feira, acessando os e-mails irados no forum da Resgate eu fiquei tentado a fazer comentários lá, mas propositadamente deixei a temperatura do assunto cair e escrever mais tarde (agora).
O mais interessante era o tom de "novidade" e "surpresa" pelo acontecido. Que era previsibilíssimo.
Desde os meados do primeiro ano do primeiro mandato de LAOR que se fala na meta de 100.000 sócios.
Quando isso foi prapagandeado, escrevi (já apaguei os posts no Santistaroxo de dois anos atrás - não adianta querer conferir) que, a menos que o Santos construisse logo um estádio maior, em pouco tempo, assistir um jogo na Vila ficaria praticamente impossível. Iria ter que haver sorteio...
Esse momento já chegou e é, de certa forma, um atestado de sucesso do programa de novos sócios. Alguns dirão que é um triste atestado, mas não vejo como poderia ter sido feito diferente.
Explico: em administração, há sempre que tomar decisões em clima de recursos limitados. Aí fica sempre a questão de se a empresa deveria construir primeiro a fábrica nova em Bananal do Sul ou desgargalar a fábrica velha em Bananal do Norte. As cifras financeiras podem dos dois investimentos podem ser até muito parecidas e aí entra a experiência da Diretoria que está tomando a decisão. Decisão essa pela qual ela se responsabilizará perante o Conselho e os acionistas mais adiante.
Num clube de futebol é parecido e no caso específico do Santos, ficou no ar (há dois anos) o que fazer primeiro: construir (ou arrumar um parceiro que construa) o estádio ou aumentar o número de sócios para gerar renda. Não são dois investimentos, mas são ações que têm consequências que colidem e aí... A decisão foi aumentar o número de sócios, por mais que as consequências no curto prazo pudessem (estão sendo...) as desta semana.
Agora, com a bicicleta andando, volta a questão do estádio. Que eu saiba não há mais que balões de ensaio. Mas esses balões vão ter que voar mais rápido e desembocar em ação mais rapidamente ainda.
Isso será possível? Tenho minhas dúvidas. Com o esquema dos estádios evoluindo nas capitais dos Estados, não enxergo muita oportunidade para interessar alguém a investir numa arena em cidade menor, mesmo que importante, como é o caso de Santos.
O que doeu mesmo no episódio desta semana foi saber que resultaram muitos ingressos na mão de cambistas. Dado que muitas entradas foram reservadas para torcidas organizadas e patrocinadores, fica fácil imaginar por onde esses ingressos escaparam. E esses buracos já poderiam ter sido tapados, ao menos parcialmente.
Desse jeito, em ganhando do Velez, vamos ter que jogar no Morumbi, porque mesmo no Pacaembu vai ser difícil para sócios conseguirem comprar.
Nosso novo estádio já deveria estar em nível mais avançado de projeto. Não conheço, porém, nenhum indício que me faça crer nisso.
O que vocês pensam?
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