quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mercados Imperfeitos

O Santos comunicou a contratação de um consultor para elaborar uma proposta de mudança de calendário do futebol brasileiro a ser apresentado a outros clubes e à CBF. Seria a salvação da lavoura...

Com todo o respeito aos envolvidos e principalmente com relação ao profissional contratado, que é um reputado consultor empresarial em São Paulo, a lavoura vai continuar arcaica (com o perdão do Raduan Nassar...), pelas seguintes razões:

  • Não espero que um novo estudo apresente novidades com relação ao livro publicado há cerca de quatro anos por Luiz Filipe Chateaubriand (http://www.livrosdefutebol.com/catalogo_detail.asp?cod_produto=252). Essencialmente, a proposta de Chateaubriand consiste em adequação do nosso calendário ao europeu e (a meu ver, principalmente) na extinção dos Estaduais.
  • Extinguir os Estaduais é algo que qualquer Pacheco gostaria. A CBF sabe disso, mas não o fará.
  • Quem elege os presidentes da Federações Estaduais são os clubes, sendo que a maioria é formada por pequenos que  não tem sustentação econômica própria e, portanto, votam de cabresto conforme ordenado pelas Federações. Vale lembrar que muitos clubes pequenos, transformados em empresas, foram comprados por investidores, cujo interesse não é exatamente o de melhorar o nosso futebol. 
  • Num segundo momento, o presidente da CBF é eleito pelos presidentes das Federações Estaduais. As pequenas federações também votam de cabresto e assim perpetua-se a estrutura de poder. É óbvio que não vão extinguir os campeonatos estaduais para perder todo esse apoio político.
  • Existem razões econômicas também. Há times tidos como grandes (rsrsrsrs...) que já receberam alguns anos de direitos televisos dos respectivos Estaduais da tv que detém os direitos de transmissão. Vão devolver o dinheiro? Não vão não.
  • A única forma de acabar com os Estaduais e ter um calendário mais digno seria os times de grande peso no País toparem peitar a CBF neste ponto, negando-se, por exemplo, a jogar o Brasileiro em datas Fifa... Como os que têm maior torcida estão devidamente cooptados pela CBF em outras áreas de interesse e o Clube dos Treze foi implodido, não os vejo fazendo isso.
  • Então fica uma guerra entre times pequenos e grandes? A resposta é sim!
  • O futuro do futebol brasileiro passa pela extinção de um grande número de clubes, duela a quién duela... Vejam bem: não estou falando em extinguir todos. Alguns hão que formar pé-de-obra. Qual é o número ideal de times pequenos para sobreviver? Não dá para dizer... Talvez o citado consultor pudesse direcionar seus estudos neste rumo. O que não dá para fazer é esperar que o mercado haja sozinho com gostaria muito o Milton Friedman. Os mercados brasileiros em geral são para lá de imperfeitos e o de futebol, então, nem se fale!
  • O que fazer? Tem muita coisa, mas a principal seria mudar a lei que impede que um clube vá à falência e que isenta os dirigentes de responsabilidades na gestão. Só isso já deixaria o mercado funcionar bem melhor.
  • Outra solução (!), que eu francamente não sei quanto custaria, seria os times grandes comprarem os pequenos transformados em empresas (como alguns empresários têm operado há alguns anos) e simplesmente liquidar. Maluco, eu? Nem tanto, Já vi muita empresa comprar outra para fechar em seguida, eliminando a concorrência. Os equipamentos e instalações devidamente sucateados, como fazem algumas indústrias para evitar que surjam concorrentes de fundo de quintal. É isso aí: compra, liquida e vende o campo para alguma imobiliária construir. Dá até uma parceria...

2 comentários:

  1. Você já "despachou" sua família para algum lugar seguro e providenciou uma daquelas máscaras com óculos, nariz e bigode, antes de propor essas "operações" RADICAIS? rsrs

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