terça-feira, 12 de junho de 2012

Caderno de Esportes da Folha

Ao Ombudsman da Folha de São Paulo

Assinante dessa Folha há décadas, tenho ficado frequentemente de pé atrás com a prática editorial do caderno Esporte do jornal.

Um leitor atento desse caderno pode, quiçá, inferir que o Manual de Redação da Folha recomende a covardia como prática profissional quotidiana. Nunca li tal Manual e quero crer que tal recomendação não exista nele. De onde viria, então, o vezo de publicar artigos sem assinatura do autor?

Essa prática é habitual no caderno Esporte. Ela antiga e incomoda bastante aos leitores.

Vejamos como exemplo o artigo publicado hoje, com direito chamada de capa, sob o título "Caseiro".

Chama a atenção, primeiro, o "timing" do artigo, denegrindo Neymar na véspera do primeiro jogo da das seminfinais da Liberadores. Até aí, não surpreendeu, porque nós Santistas já nos acostumamos tanto a esse tipo de serviço prestado a outros times, que lemos a coisa com um sorriso nos lábios.

Em seguida, chamam a atenção as afirmações de (quem mesmo?) escreveu a coisa, que são do tipo "como mentir falando a verdade", já que "analisa" o desempenho do jogador de maneira parcial. Existem diversos outros fatores para entender o que se passa em jogos aqui e outros no exterior, que um jornalista esportivo conceituado consideraria para não chegar a conclusões parciais.

Para não ir a fundo em aspectos esportivos, porque o articulista não teria levantado e interpretado questões como Mano escalando Neymar em posição diferente de onde ele habitualmente joga ou exigindo dele função à qual não está acostumado? Teria Neymar propositalmente se poupado para a Libertadores? Ventilou-se tal afirmação na imprensa há alguns dias. Seria relevante para o artigo em questão? Teria, em curto prazo de tempo, Neymar, conseguido entrosar-se com os companheiros de Seleção, da forma com que se encontra entrosado no clube?

Tudo isso seria muito relevante para chegar à "conclusão" de que ele fracassou no exterior (com direito a grifo!) e não  passa de jogador caseiro.

Suspeito que tudo isso seja fruto dos seguintes fatores:

  • As reais intenções do (quem mesmo?) articulista;
  • A falta de assunto que caracteriza as edições de terça-feira, que leva a publicar o que houver;
  • À dificuldade que a Folha possa estar tendo para encontrar mão de obra qualificada no mercado.
Seria uma prática redacional virtuosa que todos os artigos sejam assinados por quem os escreveu. Basta de "atribui-los " a "De São Paulo" ou variações do gênero.

Não surpreendentemente, procurei o nome do editor de Esporte em algum canto do caderno e não encontrei.

Isso são práticas mais típicas de blogueiros amadores e irresponsáveis. Não são admissíveis num órgão como a Folha, mesmo que num caderno dedicado a assuntos de importância  menor. As consequências  podem respingar no jornal inteiro.

Será que se eu ler o Manual de Redação da Folha vou encontrar a tal recomendação que repudiei no início deste e-mail?

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