Mestre Érico Veríssimo deve estar se revirando na tumba com este quase plágio do título de um de seus livros... e espero que seu filho, a quem também admiro, não me venha tomar satisfações!
Com alguma frequência enxergamos coisas que podiam ser melhoradas no futebol, adaptando-se coisas que são corriqueiras em outros esportes. Copiar o que dá certo é o famoso benchmarking. Se funciona bem em empresas, por que não nos esportes?
Para ficar num só exemplo, ao qual já nos referimos aqui, será impossível convencer a International Board a copiar a regra do handball que impede os jogadores do time que acabou de fazer uma falta de "tomarem conta da bola" impedindo a cobrança? É tão simples! Os jogadores do time faltoso não podem tocar na bola ou, se a detém, só podem coloca-la imóvel no chão e sair da frente rapidinho. Qualquer coisa diferente, nem que seja entrega-la rolando devagarinho, resulta em dois minutos na cerca...
Seria facílimo acabar com o festival de bolas jogadas para cima, ou disputadas a tapa entre os jogadores dos dois times, ou a acintosa atitude (nas barbas dos árbitros, que nada fazem!) de ficar na frente impedindo a cobrança. Sem-vergonhice, teu nome é futebol... Daria uns dez minutos a mais de bola rolando e placares mais justos...
Do basquete também poderíamos tirar lições.
Hoje em dia, com a importância das jogadas de bola parada, até parece que os jogadores que se acotovelam na área seguiriam alguma tática derivada do que se vê nos garrafões por aí. Um pouco. Acho que dá para usar mais. O uso de "chaves" pelos atacantes parece-me limitado. Ou será que o espaço é tão maior do que no basquete, impedindo que se seja criativo nestes lances?
Maior? Espaço é o que cada vez mais escasseia no futebol.
Vejam o que o amigo Marco postou em um comentário ao meu post anterior. Achei muito interessante (editei um pouquinho e comento no final):
...os tais "conceitos" dos professores (1). Nunca joguei profissional futebol, mas basquete, e na minha época (20 anos atrás) existiam pelos menos quatro estilos de jogo bem definidos: a defesa intensa, típica das universidade americanas, o fast break coletivo, que reinava na NBA, o jogo de garrafão, da escola européia e o do perímetro, bem brasileiro (aliás, feito para que o Oscar pudesse arremessar 40 bolas por jogo). Hoje em dia, acabou: o jogo é de ocupação de espaços com duas jogadas: corta-luz e o box-in-one (2). Por isso, se tornou clichê dizer que no basquete não há zebras: o melhor time, com melhores jogadores, vencerá. No futebol, vai acontecer isso: tirante o uniforme e a fisionomia, não é possível distinguir quais times estão jogando a Eurochata (3). O esporte cada vez mais se aproxima de uma ciência exata, ou ao menos a um jogo de xadrez. Os clubes brasileiros precisam desesperadamente do intercâmbio que o LAOR falou, não pela grana, mas porque taticamente nos tornamos medíocres (4). E a diversidade cultural, o traço marcante da identidade brasileira nos campos do mundo, está indo para as cucuias... (5)
(1) Os "conceitos" dos treinadores brasileiros parecem variar pouquíssimo. É como Darwin identificou nas Ilhas Galápagos: o isolamento leva à uma evolução específica. No caso, involução.
(2) Tenho achado o basquete chatíssimo de assistir. Há alguns anos, quando os jogos da NBA começaram a chegar à TV brasileira, mataram o interesse pelos jogos locais, porque eram tecnicamente muito melhores. Havia Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, etc. Hoje, mesmo a NBA anda difícil de assistir. Mesmo os sucessores dos astros citados, têm um jogo muito mais previsível e formatado. De uma maneira menos técnica do que o Marco escreveu, eu só vejo arremessos de longe (que de tão precisos viraram chatos) e enterradas na base de quem tem mais massa ganha... Tudo virou um imenso street ball.
(3) Voltando a Russia vs Polonia, taticamente esse times eram quase indistinguíveis. Ganhou quem tinha Arshavin e outros, tecnicamente melhores do que seus adversários.
(4) Evidentemente não conheço o currículo da maioria dos treinadores brasileiros, mas creio que pouquíssimos tem alguma educação formal em educação física ou esportes. Quem tem, em geral é apenas auxiliar do "professor", que tem sua sapiência vinda da prática e observação dos treinadores com quem conviveu em seus tempos de jogador. Outro aspecto do "engessamento" do pensamento (?!) futebolístico nacional. Mesmo quem cursou alguma faculdade do ramo parece não conhecer ou não tem oportunidade de colocar em prática, qualquer conhecimento diferente adquirido nesses cursos. Se é que o que é ensinado lá inclui alguma novidade... Como já disseram, muitíssimos cursos universitários (?) brasileiros eclodem de uma mistura de espaço disponível em prédios e falta de escrúpulos...
(5) Acho que essa diversidade cultural (em sua vertente comportamento futebolístico) está quase acabando, com alguns espasmos, como o aparecimento de Neymar. Parece-me que o estilo europeu-objetivo é o que prevalecerá. Nossos treinadores parece que tentam um pastiche do que acham que é o futebol europeu, sem tentar ou conseguir adapta-lo às diferenças culturais. Tarefa, talvez, inglória, dado que com a globalização, certas culturas são, inevitavelmente, superadas por outras. É como "diz" a pizzaria da esquina: - Entregamos pelo sistema delivery...
Como preocupei-me em colocar a última palavra em negrito, sinto-me, culturalmente, dinossáurico...
O que vocês acham?
Walter
ResponderExcluirTambém acho que vários conceitos utilizados em outros esportes podem ser aplicados/adaptados ao futebol.
Para que isso tenha alguma chance de funcionar é preciso um negócio quase impossível hoje em dia: respaldo de quem comanda.
Os CEOs, que há 2/3 décadas (ainda atendiam por presidentes) tinham de 3 a 5 anos para mostrar o seu trabalho, hoje são trocados às vezes com menos de 1 ano. Isso em rgandes e estruturadas empresas. Agora imagine então em clubes de futebol, ainda na pré-história da administração.
O dirigente no clube precisaria ter peito para bancar as mudanças, um jeito de jogar, mesmo que os resultados iniciais não fossem bons.
Mas e coragem para isso?
Bastam 20 dias de mal futebol e/ou 3 derrotas mesmo jogando bem (o que vier primeiro) e o técnico dança.
Impensável uma visão de médio/longo prazo no futebol, até mesmo em clubes da europa, mais organizada.
Vejo com pessimismo. Alguns até prometem, como o no SFC o Laor pré-eleição 2009. Mas na prática não aguentam a pressão e acabam "jogando pra torcida".
Ney Franco e Jorginho, por exemplo, são 2 nomes que parecem atender a 2 caracaterísticas essenciais:
1- gostam de futebol bem jogado, pra frente, que privilegie a técnica;
2- sabem fazê-lo / implemmentá-lo.
Mas quanto tempo durariam num clube brasileiro onde tivessem carta branca, total, para trabalhar?
Enfim, parece que o futebol tende emsmo a uma padronização gerla, com o desaparecimento dos estilos.
Abs
Roney
Vamos torcer para o time do Pasteur...
ExcluirEu estou gostando muito das finais da NBA, e tb vi Magic J.m Jordan... acho que o estilo mudou. O bastquete está mais competitivo. Já o futebol europeu é tudo igual, assistir campeonatos europeus de clubes e Eurocopa é quase a mesma coisa: pancadaria, correria e muito toque de bola, ninguém arrisca um elástico, uma caneta...
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